Café com Letra Convida

Psicanálise e o Feminino

Quinta-feira l 20h-21:30h (via Zoom.us)

08/04 - Denise Maurano - Feminino e os seus gozos, mais ainda

15/04 - Denise Maurano - Feminino e os seus gozos, mais ainda

22/04 - Tania Rivera - Seria neutro o sujeito do inconsciente?

Identidade e gênero, hoje

29/04 - Malvine Zalcberg - Ceder ou consentir? 

06/05 - Taoana Padilha Feminino e criação

13/05 - Samara MegumeBruxas, feiticeiras e místicas: faces do fascínio/horror do feminino

20/05 - Samara Megume - Bruxas, feiticeiras e místicas: faces do fascínio/horror do feminino

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Denise Maurano - Feminino e os seus gozos, mais ainda

Freud deu ênfase a dualidade de sexos presente em nós de diferentes maneiras, e ocupou-se amplamente em investigar o desejo e seu norteamento fálico, como fundamento de nossa subjetividade. Na releitura que Lacan faz de Freud, comparece como avanço, sua investigação sobre o campo do gozo. Averiguando a insuficiência do gozo sexual, fálico, sempre a meio caminho do que o sujeito espera dele, para afirmação de si mesmo,  traz a hipótese da existência de um gozo Outro, gozo dito feminino, trazendo algumas luzes ao campo do feminino, situado por Freud como “continente negro”. Esse Gozo Outro, longe de ser regido pelo que Freud denomina como princípio do prazer , longe de ser limitado pelo sexo, pelo seccionado, é referido pelo que nos governa “mais além do princípio do prazer”. Situa-se fora do campo sexual, incidindo sobre o ponto onde o sexual rateia, não se revelando suficiente para sustentar a relação do humano com a amplitude da existência, ou com o imperativo de satisfação.  Referido pelo ilimitado adentra o domínio da pulsão de morte, no ponto em que tudo e nada se conjugam e que pode servir à devastação ou ao júbilo.  Nesse contexto, não é afirmação de si que conta, não se trata da celebração narcísica do sujeito, mas da experiência de uma entrega que, se consentida, revela o júbilo presente na dessubjetivação, num gozo que se realiza apesar do sujeito, e por isso mesmo escapa à sua possibilidade de representa-lo, escapa ao seu domínio. Resta portanto evoca-lo a partir de uma aparência de ser. E, nesta perspectiva, tanto certas expressões da arte como o barroco é exuberante em fazê-lo, quanto a experiência mística pode testemunhar algo de sua incidência.

Denise Maurano é psicanalista, possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1979), mestrado em Filosofia pela Universidade Gama Filho (1991), Diplôme D'ètudes Approfondues en Philosophie (1996) e doutorado em Philosophie (1999) - Universite de Paris XII (Paris-Val-de-Marne); doutorado em Filosofia (1997) e pós-doutorado em Letras(2004) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). É psicanalista membro do Corpo Freudiano - Escola de Psicanálise – seção Rio de Janeiro. Tem vários livros e artigos publicados. Edita a revista Psicanálise e Barroco desde 2002. Tem experiência na área de Clinica e Cultura, com ênfase em Intervenção Terapêutica, atuando principalmente nos seguintes temas: psicanálise, barroco, clínica, ética, tragédia e cultura.

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Tania Rivera - Seria neutro o sujeito do inconsciente? Identidade e gênero, hoje

É um equívoco tomar o descentramento do sujeito de que trata a psicanálise como excludente de tomadas de posição identitárias. Desenvolveremos na aula a ideia de que ele diz respeito fundamentalmente a uma crítica do sujeito neutro da filosofia, em prol da singularidade de sujeitos encarnados sexual e politicamente.

 

Tania Rivera é ensaísta, psicanalista e Professora Titular do Departamento de Arte e da Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atua também junto ao Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutora em Psicologia pela Université Catholique de Louvain, Bélgica, realizou Pós-Doutorado em Linguagens Visuais na Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autora dos livros Arte e Psicanálise (2002), Guimarães Rosa e a Psicanálise (2005) e Cinema, Imagem e Psicanálise (2008, todos por Jorge Zahar Editor), Hélio Oiticica e a Arquitetura do Sujeito (2012, Editora da UFF) e O Avesso do Imaginário. Arte Contemporânea e Psicanálise (2013, CosacNaify), que recebeu o prêmio Jabuti na categoria psicologia/psicanálise. Realizou também os ensaios Fora da Imagem. (Foto)grafias e O Livro de Vidro. Curadora de Lugares do Delírio (Museu de Arte do Rio, 2017 e SESC Pompeia, 2018), entre outras exposições. Neste momento está lançando o livro Psicanálise Antropofágica (Identidade, Gênero, Arte), pela editora Artes e Ecos.

Malvine Zalcberg - Ceder ou consentir?

O “#MeToo” ganhou força em 2017 quando a atriz Alyssa Milano publicou no seu twitter um pedido para que todas as mulheres tendo sofrido assédio sexual se manifestassem e denunciassem os abusadores. 

Num primeiro tempo, no contexto da grande repercussão, inclusive mundial obtida, o movimento foi considerado sob a perspectiva social-política-jurídica de uma vitória na luta pelos direitos das mulheres. Um segundo tempo na consideração dos efeitos do “#MeToo” está sendo introduzido pela psicanálise: o de questionar os motivos de tantas mulheres terem jogado um pesado manto de “silêncio” sobre experiências de abusos que as haviam feito sofrer. Esta posição subjetiva feminina – manter “silêncio” sobre abusos sofridos – vem suscitando reflexões sobre a distinção clínica entre “ceder” e “consentir”. A fronteira entre esses sentimentos é dúbia: correspondem a diferentes graus de a mulher “deixar-se levar”:  é dizer “sim” sem ela saber porque. Isto, desde a experiência da paixão amorosa até o ponto de “se forçar a fazer o que não se deseja”. 

Como definir, na língua de nossos contemporâneos, o que é um abuso sexual? Um percurso de Freud à Lacan, sobre a noção de traumatismo sexual, nos faz rever nossa concepção de causa à efeito. “Ceder e consentir” estão no centro da reflexão ética no domínio da relação entre os sexos desse começo de século. 

Malvine Zalcberg, Psicanalista e Doutora em Psicanálise. Professora Adjunta da UERJ.  Foi Chefe do Setor de Terapia Familiar no Serviço de Psiquiatria do Hospital Universitário e Coordenadora de Pós-graduação do Instituto de Psicologia desta Universidade. Membro psicanalista da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, atualmente afastada. Dedica-se à escrita. Por ter elaborado sua tese bilingüe na Université Paris VII e na PUC Rio, vem tendo seus livros publicados no Brasil e na França.

Taoana Padilha Feminino e criação

Feminino e Criação:  Sigmund Freud e Simone de Beauvoir nos disseram - cada qual com seu estilo próprio - que o tornar-se mulher é um processo criativo.  Uma dada leitura dos ensinos de Freud e Lacan aborda o feminino como o que não se pode dizer, o irrepresentável, o mistério silencioso e absoluto. Entretanto,   é possível ir além e tomar o feminino como a força pulsional que possibilita a invenção das múltiplas e dinâmicas versões das feminilidades. Nesse sentido, cada mulher precisa parir a si mesma, no singular e no coletivo. Sem esquecer que o parto, desde os primórdios, é um ato inaugural que conta com a participação cooperativa de outras mulheres.

Taoana Padilha, psicanalista. Mestra em Psicanálise (UERJ) e doutoranda em Psicologia Social (PUC-SP). Membro da Internacional dos Fóruns. Membro do Fórum do Campo Lacaniano de Florianópolis (em formação) e do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo.

Samara Megume - Bruxas, feiticeiras e místicas: faces do fascínio/horror do feminino

Bruxas, feiticeiras e místicas: faces do fascínio/horror do feminino. 

A violência ao feminino existe há pelo menos dois milênios. Registros históricos mostram que o repúdio ao feminino existia antes do Capitalismo e do Cristianismo. O termo misoginia aparece na Grécia Antiga, revelando que ela está presente nos fundamentos de nossa civilização ocidental. Ela é estrutural, pois está na base da cultura patriarcal - herança a partir da qual as subjetividades são constituídas. Buscarei abordar o ódio ao feminino, existente tanto em homens quanto em mulheres, guiada pela pergunta: O que sustenta essa violência, à qual as mulheres estão permanentemente submetidas? Geração após geração, a despeito dos esforços atuais dos movimentos feministas e das políticas públicas, vemos a misoginia se manter e se propagar. Nesse curso, iremos contornar essa questão tecendo as figurações das Bruxas, das feiticeiras e das Místicas. Tais figuras exprimem o imaginário que o pensamento ocidental legou ao feminino. Há nessas personagens potências que geram tanto fascínio quanto horror. Trata-se do paradoxo de um saber que escapa à racionalidade: um conhecimento outro, estranho (unheimlch) às lógicas presentes nas atuais estruturas de poder.

Samara Megume Rodrigues é psicanalista e psicóloga, graduada em psicologia pela Universidade Estadual de Maringá. Possui Mestrado em Psicologia pela mesma instituição (na linha Epistemologia e Práxis em Psicologia). É idealizadora e coordenadora da Roda de Psicanálise: espaço de transmissão e formação, que oferece grupos de estudos, supervisão clínica e Formação em Psicanálise (em parceria com o GTEP do departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae) na cidade de Maringá.

Para maiores informações: contatocafecomletra@gmail.com

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